segunda-feira, 29 de agosto de 2016

À deriva!


Cruzeiro 2 x 0 Santa Cruz.
Mesmo com DORIVA, continuamos à DERIVA!

Cruzeiro 2 x 0 Santa Cruz


Fotografia de Edesio Ferreira

CRUZEIRO 2 x 0 SANTA CRUZ

Yuri de Lira

A Santa Cruz pagou caro o preço por não ter “matado” o jogo no primeiro tempo, quando foi melhor que o Cruzeiro. Logo no início do segundo, o Tricolor falhou duas vezes o permitiu a Raposa fazer os gols que decretaram a derrota coral por 2 a 0 na manhã deste domingo, no Mineirão. Diante de um adversário que, embora em ascensão na Série A, era o pior mandante do campeonato, a equipe pernambucana acumulou a sétima partida sem ganhar no Brasileiro. Segue na sua pior sequência na temporada e o técnico Doriva, há três jogos no comando tricolor, não tem sido capaz de fazer o time reagir e reencontrar as vitórias.
A fim de dar “liga” ao time, Doriva repetiu a mesma escalação pela primeira vez em sua terceira partida no comando do Santa, que, conforme preza o treinador, teve maior posse de bola no primeiro tempo e as melhores chances de abrir o placar. Sem encontrar muito espaço para trocar passes e chegar à barra mineira, a primeira jogada saiu de uma bola em profundidade de João Paulo para Grafite. Dentro da grande área, o camisa 23, no entanto, teve o seu gol impedido pelo goleiro Rafael e completou agora dez partidas seguidas no ano sem balançar as redes, na sua maior “seca” no clube.
O Santa chegou a sofrer uma pressão no começo do confronto contra o Cruzeiro, empurrado, aliás, por mais de 40 mil torcedores no Mineirão. Mas, pouco a pouco, o time pernambucano foi começando a chegar ao campo de ataque com bem mais desenvoltura que nos minutos iniciais. Um cruzamento de Allan Vieira, desviado de cabeça por Grafite, sobrou para Léo Moura, que acertou o travessão cruzeirense.
Os mandantes poderiam ter inaugurado a contagem com Rafael Sóbis, logo na sequência. Oportunidade pontual do Cruzeiro. Descompactada, a Raposa não conseguia furar um sólido sistema defensivo coral, que teve o destaque para o zagueiro Danny Morais na etapa inicial do duelo. Ele, por muitas vezes, ainda era capaz de corrigir falhas pontuais do seu colega de posição, Luan Peres.

Gols no início do segundo tempo
O que o Santa fez nos 47 minutos iniciais não fez nos sete primeiros do segundo tempo. Aos três, o mesmo Luan Peres cortou uma bola errada para o meio e desta vez não teve como Danny consertar. Sobrou nos pés de Robinho. À longa distância, o cruzeirense chutou, a bola bateu na trave e entrou, sem chances para Tiago Cardoso: 1 a 0. Aos sete, enquanto Léo Moura parou para reclamar com a arbitragem, a equipe mineira cobrou um lateral rapidamente e pegou a defesa do Santa desguarnecida. Depois de passe de Arrascaeta, Ábila só teve o trabalho de escorar a bola para dentro da barra. Doriva tentou o que pôde para reverter a situação. Acionou dois atacantes (Wallyson e Marion) no lugar de duas peças do meio-campo (Derley e Pisano), mas as trocas não surtiram o efeito esperado. Wallyson ainda teve chances de fazer um gol de falta e outro de cabeça, ambas defendidas por Rafael.

Ficha do jogo

CRUZEIRO: Rafael; Lucas, Manoel, Bruno Rodrigo e Edimar; Lucas Romero (Denílson), Ariel Cabral e Robinho; Rafael Sóbis, Arrascaeta e Ábila (Willian). Técnico: Mano Menezes.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Allan Vieira; Derley (Wallyson), Uillian Correia (Danilo Pires) e João Paulo; Pisano (Marion) e Keno; Grafite. Técnico: Doriva.

Local: Mineirão (Belo Horizonte-MG). Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa-SC). Assistentes: Nadine Schramm Câmara Bastos (Fifa-SC) e Hélton Nunes (SC). Gols: Robinho (3’ do 2T, Cruzeiro); Ábila (7’ do 2T, Cruzeiro). Cartões amarelos:Lucas Romero e Ariel Cabral (Cruzeiro); Derley, Uillian Correia e Keno (Santa Cruz). Público: 49.028. Renda: R$ 1.445.435,00.
Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 28/8/2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Santa Cruz 0 x 0 Sport



Fotografias de Ricardo Fernandes / DP

SANTA CRUZ 0 x 0 SPORT

João de Andrade Neto

Demorou 100 anos para que Santa Cruz e Sport se enfrentassem pela primeira vez em um torneio internacional. No caso, válido pela Copa Sul-Americana. No entanto, um clássico desse tamanho merecia bem mais. Em todos os fatores. A começar pelo público, que não fez jus a alcunha de “multidões” que o duelo carrega, com apenas 5.517 torcedores presentes. Dentro de campo, as duas equipes também deixaram a desejar. Com um futebol de muita marcação, mas pouca inspiração, tricolores e rubro-negros não saíram do 0 a 0, na estreia do duelo também na Arena de Pernambuco.
Placar que, pelo menos, deixa tudo em aberto para o jogo de volta, quarta-feira que vem, novamente na Arena. Quem vencer avança para enfrentar Independiente de Medellin-COL ou Deportivo Luqueno-PAR. Já um empate com gols favorece aos corais, já que o mando da volta pertence aos leões.
Para a partida, os dois treinadores parecem ter se rendido a importância histórica do primeiro confronto internacional entre tricolores e rubro-negros. Ao contrário do que se especulava, nada de times mistos, com Santa e Sport em campo com todos os seus titulares. O que, no entanto, não impediu o primeiro tempo de ser fraco tecnicamente.
Nos minutos iniciais, coube ao Sport a maior posse de bola. No entanto, faltava ao Leão um maior poder de definição dos lances. Tanto que o primeiro chute com certo perigo à meta de Tiago Cardoso só veio aos 33 minutos, com Rogério arriscando de fora da área e o arqueiro tricolor defendendo em dois lances. Contribuiu para a falta de um maior poderio ofensivo rubro-negro as atuações apagadas de Gabriel Xavier, sumido em campo, e Éverton Felipe, errando quase tudo que tentava.
Pelo lado do Santa, a proposta inicial de apostar apenas na velocidade dos contra-ataques, aos poucos, foi dando espaço também a uma melhor troca de passes e uma postura mais aguda. Tanto que entre os 15 e os 23 minutos foram três finalizações. Com direito também a duas “cheiradas” bisonhas do volante Derley. Na melhor chance de gol, a argentino Pisano chutou por cima, após a bola sobrar livre na entrada da pequena área.
Por sinal, o preenchimento de espaços em frente a área de Magrão foi outro mérito coral, que praticamente ficou com todos os rebotes ofensivos. No entanto, apesar do Santa terminar os primeiros 45 minutos um pouco melhor, as duas equipes desceram para o vestiário com o placar em branco.
Para o segundo tempo, os dois treinadores optaram por voltar com as mesmas formações. Mas não por muito tempo. Ainda no embalo da primeira etapa, o Santa iniciou tomando a iniciativa do jogo. O momento coral fez com que Oswaldo de Oliveira modificasse o Sport logo aos sete minutos (algo que não costuma fazer) ao sacar Edmílson para a entrada do colombiano Ruiz. Dez minutos depois, foi a vez do Santa mudar e reforçar a marcação, com Danilo Pires na vaga de João Paulo. O clássico voltaria a ficar truncado. E equilibrado. Só aos 23, o coral Pisano voltaria a mexer com as torcidas na Arena ao chutar com perigo.
Oswaldo ainda colocariam em campo mais dois estrangeiros, com Lenis e Mark González nas vagas de Everton Felipe e Rodney Wallace. Já pelo lado tricolor, Doriva ainda tentou dar mais velocidade ofensiva com Wallyson na vaga de Grafite. Nada, porém, foi capaz de tirar o zero do placar. O primeiro Clássico das Multidões internacional merecia mais.

Ficha do jogo

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Allan Vieira; Uillian Corrêa, Derley, João Paulo (Danilo Pires) e Pisano; Keno (Marion) e Grafite (Wallyson). Técnico: Doriva.

SPORT: Magrão; Samuel Xavier, Matheus Ferraz, Ronaldo Alves e Rodney Wallace (Mark Gonzalez); Paulo Roberto, Rithely, Éverton Felipe (Lenis), Gabriel Xavier e Rogério; Edmilson (Ruiz). Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Local: Arena de Pernambuco. Árbitro: Julian Bascuñan (Chile-Fifa). Assistentes: Marcelo Barraza e Christian Schierman (ambos do Chile). Cartões amarelos: Matheus Ferraz, Paulo Roberto (S), Derley (SC). Público: 5.517. Renda: R$ 71.085,00.


Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 24/8/2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sul-Americana pode ajudar na Série A


Fotografia de Ricardo Fernandes

SUL-AMERICANA PODE AJUDAR NA SÉRIE A

Yuri de Lira

Reforços, mudança de esquema tático, troca de treinador… Por enquanto, nenhuma dessas tentativas ainda deu certo para o Santa Cruz melhorar na Série A. Segundo Léo Moura, a retomada no Tricolor no Brasileiro pode vir justamente a partir da Copa Sul-Americana, que se inicia para o time com o clássico contra o Sport nesta quarta-feira, na Arena de Pernambuco. O veterano acredita que bons resultados na competição continental são capazes de servir como “combustível” rumo a uma arrancada para fora da zona de rebaixamento no nacional.
“Primeiramente, temos que voltar a vencer. O nosso principal objetivo é retomar as vitórias, independentemente da competição que estamos disputando. Então, contra o nosso maior rival, acho uma vitória vai nos dar confiança para seguirmos no Campeonato Brasileiro”, declarou o lateral direito. “Apareceu Sul-Americana e vamos tentar passar a cada fase porque isso dá mais confiança ao grupo”, emendou.
Apesar de declarar maior importância à Sula em detrimento da Série A, Léo Moura não deixa de destacar a sua ambição pelo torneio continental. “O peso da Sul-Americana é grande. É uma competição internacional. Já disputei algumas vezes, sei da importância que é. Já que apareceu, é o que está na nossa frente e vamos pegar.”

Bem fisicamente para a Sula-Americana
Com dez jogos seguidos entre os titulares e sem ser substituído sequer, o lateral de 37 anos pode ser poupado contra o Sport. Léo Moura, no entanto, se diz bem fisicamente e diz que, embora esteja exercendo uma o que exige bastante fisicamente, está pronto para seguir entre os titulares da equipe tricolor.
“Essa posição já não é mais segredo. Vim com (o técnico) Marcelo Martelotte para jogar no meio-campo, mas depois com Milton voltei à lateral. Estou com uma sequência na posição e tenho me sentido muito bem. Toda a minha carreira foi na lateral, vou procurar fazer o meu melhor para continuar ajudando o Santa Cruz", contou. "O cansaço não bateu de maneira nenhuma. Tenho me preparado para isso. Gosto de jogar os 90 minutos, não gosto de ficar fora", acrescentou.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 22/8/2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dias ingratos


DIAS INGRATOS

Clóvis Campêlo

Caros amigos corais, os dias atuais nos têm sido ingratos. Principalmente os dias posteriores aos jogos do Santinha. Assim, hoje é mais uma segunda-feira ingrata. Perdemos mais uma e continuamos sem convencer. Acho difícil que Doriva consiga mudar esse panorama em tempo útil. Parece que a coisa (sem nenhum trocadilho) vem de fora do campo.
Ontem, contra o Fluminense, no Arruda, continuamos a demonstrar a nossa ineficiência. Sem ataque, sem esquema tático convincente, com os jogadores visivelmente desanimados desde o começo do jogo. Fomos um time apático e sem forças para a superação. Penso que dificilmente conseguiremos evitar o retorno para a Série B.
Na estreia do novo treinador o plantel não demonstrou motivação suficiente para ganhar o jogo. Continuamos abusando dos passes laterais infrutíferos, da falta de triangulação na entrada da área adversária, com precisão e velocidade, para abris espaços aos atacantes. Fomos um time ruim, desarticulado, jogando em um gramado péssimo. Se a bola já nos atrapalha, imaginem com o gramado esburacado...
Acho que a vaca já está indo para o brejo. E a Cobra Coral também. Mas, o que mais me preocupou foi ver a cara triste e desanimada dos jogadores desde o início da partida. O que poderá estar havendo com o elenco?
Milton Mendes, o desagregador, já se foi. Doriva, o estimulador, já chegou. Vamos ganhar, gente! Colocar o coração no bico da chuteira. Voltar a ser um time de guerreiros. Só assim ainda poderemos ter alguma chance real de nos mantermos na Série A em 2017.

Santa Cruz 0 x 1 Fluminense


Fotografia de Rafael Martins

SANTA CRUZ 0 x 1 FLUMINENSE

Yuri de Lira

A estreia de Doriva pelo Santa Cruz foi completamente diferente do que ele planejava. A mudança de comando e o técnico como “fato novo” no grupo não foram suficientes para fazer o Santa Cruz voltar a vencer na Série A. Neste domingo, o Fluminense gannhou 1 a 0 em uma partida que tudo saiu como o treinador estreante não queria. O Tricolor Pernambucano não conseguiu propor o jogo quando deveria, não teve poder de reação e não tomou o Arruda como aliado. A equipe coral agora acumula seis rodadas sem vitórias, sete derrotas em casa em 11 jogos e continua imerso na zona de rebaixamento.
No esquema 4-2-3-1, Doriva confirmou a mudança que havia sinalizado durante a semana ao escalar Pisano no time no lugar de Arthur. O argentino cumpriu uma função mais centralizada no meio-campo, enquanto o volante Derley foi encarregado de ocupou a ponta direita. Com essa formação, o Santa conseguiu até algumas boas triangulações no ataque. O time, no entanto, não foi capaz de adotar a postura que o novo técnico disse que gostaria de ver, a de manutenção de posse de bola e de proposição das ações quando o placar estava zerado.
O gol dos visitantes poderia ter sido evitado. Aos 29 da etapa inicial, Tiago Cardoso saiu errado após escanteio e trombou com Luan Peres. A bola sobrou para Henrique Dourado, que teve somente o trabalho de encostá-la para o fundo das redes: 1 a 0. Keno, que seguiu sendo o principal peça da equipe para escapatória ao ataque, não conseguiu que o seu individualismo se sobressaísse. Insistiu, então, em chutes à longa e média distância. Todos sem sucesso. Com os cariocas fechados desde o começo a partida, Uillian Correia e Derley tentaram também fazer gols dessa forma nos primeiros 48 minutos do duelo.
Doriva pareceu que ia deixar o Santa mais agressivo ofensivamente com as entradas de Lelê e Arthur no lugar de Derley e Grafite, respectivamente. Mas o time recifense não apresentou o poder de reação mostrado na rodada passada, no 2 a 2 que conseguiu contra o Vitória, no Barradão - ainda sob o comando do interino Adriano Teixeira. O meio-campo era lento nas transições.
Pisano, atleta de melhor rendimento do setor, cansou, ficou mais recuado em campo e o desgaste dele refletiu diretamente na atuação do resto dos seus colegas. Os mandantes, apesar de terem um ilusório domínio no segundo tempo, tinham dificuldades para criar qualquer tipo de jogada. A torcida foi perdendo a paciência. Muitos torcedores voltaram-se contra a equipe, inclusive. O apito final deu a sensação que, mesmo depois da troca de Milton Mendes por Doriva, o Santa Cruz continua o mesmo.

Ficha do jogo

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Tiago Costa (Allan Vieira); Derley (Lelê), Uillian Correia, João Paulo, Pisano e Keno; Grafite (Arthur). Técnico: Doriva.

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Wellington Silva (Igor Julião), Gum, Henrique e William Matheus; Douglas, Edson (Pierre) e Gustavo Scarpa; Danilinho, Wellington e Henrique Dourado (Samuel). Técnico: Levir Culpi.

Local: Arruda (Recife-PE). Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (Fifa-SP). Assistentes: Tatiane Sacilotti Camargo (Fifa-SP) e Miguel Ribeiro da Costa (SP). Gol: Dourado (29’ do 1T, Fluminense). Cartões amarelos: Igor Julião e Edson (Fluminense).Público: 8.279. Renda: R$ 120.780,00.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 21/8/2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Lacraia, o poeta do Santa Cruz


Lacraia, no destaque

LACRAIA, O POETA DO SANTA CRUZ

Leonardo Dantas Silva

Cabeleira negra e farta, pele morena escura, altura acima dos seus companheiros, Teófilo Batista de Carvalho logo se destacou, entre os meninos que em 1914 fundaram na Boa Vista o Santa Cruz, como o mais dotado dos rapazes, dentro e fora dos campos daquela época.
Filho de uma família de classe média do bairro da Boa Vista (seu pai era médico), acompanhou os meninos que se reuniam na calçada da Igreja da Santa Cruz nos primeiros momentos daquele início de século. Por motivos outros, não assinou a ata de fundação do seu clube, não se registrando a sua presença na reunião ocorrida na casa do despachante Adolpho Silva, situada no nº 5 da Rua da Mangueira (hoje, Leão Coroado), esquina com a Rua da Alegria, naquela noite de 3 de fevereiro de 1914.
Atendia pelo simpático apelido de Lacraia, ocupava a posição centromédio, logo se transformando em um dos mais renomados artilheiros e, ao mesmo tempo, em capitão e técnico daquele time de iniciantes, que comparecia aos jogos da campina do Derby envergando as cores preta e branca.
Foi o jogador mais popular de sua época, sendo dele o projeto do escudo do Santa Cruz, inspirado na “âncora branca da esperança”, trazendo as cores encarnado, preto e branco, cujo primeiro exemplar fora confeccionado nos Estados Unidos, por encomenda do livreiro Ramiro Costa, e que se mantém, em sua forma primitiva, até os nossos dias.
Segundo o blog do Santa Cruz, “a idéia do escudo nasceu numa ocasião em que um amigo do pai de Lacraia, o livreiro Ramiro Costa, proprietário da secular livraria, que levava seu nome, perguntou ao centromédio, se ele não estava interessado em mandar confeccionar alguns escudos em metal para o Santa Cruz.
Sentindo que o clube precisava de um distintivo que identificasse seus diretores e simpatizantes, não hesitou em responder favoravelmente. Ele mesmo elaborou o desenho, e a encomenda seguiu para os Estados Unidos, pois naquele tempo, tanto no Rio como em São Paulo não haveria facilidades para fazê-los. Pois, no Recife, nem se fala”.
Quando algum tempo depois, Lacraia foi informado da chegada dos escudos, a notícia estava acompanhada da conta, cinco contos de reis. Apenas para tomar o real como parâmetro, digamos, cinco mil reais. Àquela altura, o presidente era Álvaro Ramos Leal, mais tarde médico, pai do também médico e dirigente do clube em meados do século passado, Nilson Ramos Leal. Álvaro seria também avô do ponta-direita Carlinhos (Ramos Leal), de vitoriosa passagem pelo Santa – ainda defendeu o América e o Sport.
Quando foi cientificado do compromisso que teria que ser saldado com Ramiro Costa, Álvaro deixou seu companheiro assustado ao dizer que o assunto seria levado à apreciação da diretoria. Se esta não aprovasse, nada feito. Lacraia que pagasse do seu bolso, uma vez que o clube nada tinha encomendado.
Sem dinheiro para saldar um débito tão alto, o centromédio ficou apreensivo. Porém, para sua tranqüilidade, os demais diretores acharam lindos os escudos, que podiam ser usados no chapéu – um dos costumes da época – com os menores sendo presos à lapela e à gravata. E o Santa pagou a conta.
Mas o nosso Lacraia, com a sua simpatia peculiar, soube brilhar fora de campo, não só como projetista do escudo do Santa Cruz, que os tricolores daquela época usavam, com orgulho, nos chapéus, broches de gravata e lapela, muitos deles confeccionados em ouro cravejado com brilhantes, mas como autor dos versos que apresentavam os jogadores daqueles idos de 1914 a 1917.
Nas ruas a rapaziada já desfilava cantando, atraindo a presença do público feminino, depois de cada conquista no campo do Derby ou no campo do Tramways (na Avenida Malaquias).

Ai meu Deus, que barulho!
Quantas palmas, que horror!
Torcedoras estão contentes,
A vibrar com o tricolor!

Naqueles primeiros anos Teófilo Batista de Carvalho, o nosso Lacraia, descrevia em versos o perfil de cada um dos jogadores do tricolor:

Minha gente não se iluda
Nosso goal-kepper é Ilo Just
Seu apelido é Bicuda.
Atenção Bicuda! Olho na bola!
Cuidado, o inimigo atola!
E não sabeis por onde entrou.
Teu talismã foi perdido,
O teu dente foi partido,
De uma bola que levou

E seguia descrevendo cada um dos jogadores de então, terminando por ele próprio:

Do ingrato Americano
O lugar está ocupando
O rebolo do Tiano [Martiniano Fernandes]
Ai Tiano, center-ford ardiloso
Japonês perigoso,
O primeiro da posição
És um center de primeira
Faz o goal e quantos queira
Assim tenha ocasião

………………………………………….

Eis aqui o tricolor
Que acabo de descrever
Jogador por jogador
Ai que time,
Todos eles desdentados
Uns gorduchos outros cortados
Na metade da altura
Tem também uma Lacraia
Quem pisar em sua raia
A ferrada está segura

E assim o Santa Cruz, que tivera suas cores alvinegras no primeiro ano, transformando-se depois no tricolor com a inclusão do encarnado, passou a ser “o Clube das Multidões dos nossos dias…”
Confessa Givanildo Alves, em seu livro História do Futebol em Pernambuco (1978), que “o Santa continuou sendo amado por pretos e brancos, ricos e pobres, até os dias de hoje. O moreno quase negro Lacraia abrasileirou o futebol pernambucano, até então praticado somente pela elite recifense misturada aos galegos de olhos azuis das companhias inglesas aqui instaladas. O Santa Cruz pôs um ponto final no anglicismo futebolístico reinante e iniciou o estilo de jogo nacional da ginga de corpo, do banho-de-cuia, da bola de efeito, do gol de letra, do drible e da picardia. Um futebol enfim narcisista como o espírito brasileiro. Era a ruptura do velho e a instalação do novo”.
Fonte: Jornal da Besta Fubana

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A boa estreia de Pisano


A BOA ESTREIA DE PISANO

Yuri de Lira

Matías Pisano só não teve uma estreia perfeita pelo Santa Cruz porque o time coral não conseguiu ganhar. O argentino, que foi acionado pelo técnico interino Adriano Teixeira aos 20 minutos do segundo tempo, acabou sendo o autor do gol de empate em 2 a 2 contra o Vitória, no Barradão, e teve um rendimento convincente. O meia, portanto, dá uma boa impressão ao recém-chegado treinador Doriva, que assistiu a tudo das tribunas do estádio.
O meio-campista tem apenas 1,66 metro de altura. Entre os jogadores do elenco tricolor, é mais alto apenas que Renatinho, com sete centímetros a menos. Ainda assim, fez, de cabeça, o gol em sua estreia. Não que essa seja a sua especialidade. Longe disso. Nem ele próprio imaginava que seria dessa maneira que balançaria as redes adversárias pela primeira vez no Santa Cruz No entanto, feliz com o seu desempenho, tal detalhe pouco importou. “De cabeça não (esperava), mas de todo jeito serve”, falou, aos risos.
A atuação do meio-campista não pode ser restrita ao gol. Mesmo em campo por apenas 27 minutos, Matías Pisano foi capaz de melhorar o rendimento do setor de criação da equipe coral na partida e teve chance até de fazer o seu segundo gol para decretar um triunfo histórico no Barradão (já que o Santa nunca venceu o Vitória em Salvador).
Ele entrou no lugar de Arthur. A depender da atuação do concorrente e da dele, Doriva pode ter atestado que a vaga no time titular é mesmo do argentino. Isso se continuar no esquema 4-2-3-1 que Adriano Teixeira adotou neste jogo. Já se o novo técnico retomar o 4-4-2, Pisano disputaria a posição com João Paulo ou Uillian Correia para atuar como um meia mais centralizado.
Após o jogo no Barradão, o jogador avaliou positivamente a sua participação no duelo com o Rubro-negro. “Gostei (da estreia). Fui bem. Viu-se tudo: a luta da gente e a gente competindo para conseguir os objetivos”, afirmou. “Pude fazer um gol importante para nós e para seguirmos na briga (contra o rebaixamento)”, complementou.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

Vitória-BA 2 x 2 Santa Cruz


Fotografia de Raul Spinassé

VITÓRIA-BA 2 x 2 SANTA CRUZ

Yuri de Lira
O técnico Doriva vai ter ainda trabalho para corrigir os defeitos do time do Santa Cruz e tornar possível a fuga da zona de rebaixamento da Série A. Mas, das tribunas do Barradão, teve uma boa impressão neste domingo da atuação time coral, comandado pelo interino Adriano Teixeira. O 2 a 2 contra o Vitória mantém a escrita de o Tricolor nunca ter vencido o adversário em Salvador, em contrapartida dá esperança de tempos melhores para o clube na competição. Ainda mais depois da estreia de Pisano, que entrou no segundo tempo, melhorou a equipe e fez o gol de empate.
Antes do jogo, Adriano disse que o seu método de trabalho era diferente ao do ex-técnico coral Milton Mendes e que, consequentemente, faria “algumas mudanças” na escalação. Não se furtou em tirar Danilo Pires, promovendo o retorno do titular Uillian Correia. Derley, porém, continuou na equipe. O auxiliar também devolveu o atacante Arthur ao time ao sacar o volante Jadson. Dessa maneira, o Santa voltou a jogar no 4-3-2-1 após ter sido formado no 4-4-2 nas duas rodadas passadas. A última alteração foi circunstancial: Neris, machucado por um mês na coxa direita, cedeu vaga a Luan Peres.
A mudança tática pouco adiantou. A equipe não jogou na etapa inicial com “alegria” que Adriano disse que gostaria ao ser questionado sobre a estratégia coral para a partida em Salvador. Com o Santa descompactado na marcação, o Vitória não demorou para criar as suas jogadas. Aos cinco minutos, depois de trocar passes na intermediária coral, o Rubro-negro abriu o placar com Diego Renan, ao infiltrar pelo lado esquerdo e chutar sem chances para Tiago Cardoso.
O sistema defensivo pernambucano era falho individualmente. Luan Peres quase “dá” um gol para Kieza ao recuar uma bola de cabeça. Coletivamente, seguiu permitindo o adversário ter mais posse de bola e o controle total do jogo. O Rubro-negro ainda acertaria uma bola no travessão. O setor ofensivo do Santa também não funcionava. Rifar a bola para frente parecia ser a única solução para construir uma jogada.
O gol de empate acabou saindo de um lance mais fortuito que elaborado. Tiago Costa resolveu chutar de longe, a tentativa deu certo e o lateral conseguiu igualar a contagem no Barradão com um golaço. A última vez que o Santa havia buscado um empate, por sinal, foi ainda na segunda rodada do Brasileiro, contra o Fluminense. Poder de reação que se estendeu para a etapa final.

Doriva nos vestiários
Doriva desceu das cabines do estádio e falou com Adriano Teixeira na hora do intervalo para que os erros mostrados fosse corrigidos. Mal deu tempo para os jogadores tricolores colocarem em prática e que foi conversado no vestiários. Já aos dois minutos, o Vitória voltou à vantagem no placar. Foi a vez de Willian Farias fazer um gol tão bonito quanto o de Tiago Costa.
O Santa começou a ser mais agressivo aos 20 do segundo tempo, quando o Matías Pisano estreou ao entrar no lugar de Arthur. O meia argentino logo fez com que a criação do Santa crescesse de produção. Mostrando velocidade e visão de jogo apurada, também foi participativo e chegou mais à frente para ajudar os colegas de ataque. Numa dessas investidas, com seus 1,66 metro, recebeu cruzamento de Wallyson (também acionado do banco de reservas) e fez um gol de cabeça, aos 37. O estrangeiro ainda teve a chance da virada.

Ficha do jogo
VITÓRIA-BA: Fernando Miguel; Diogo Mateus (José Welison), Ramon, Kanu e Diego Renan; Willian Farias, Flávio (Marcelo) e Sherman Cárdenas; Marinho, Kieza e Vander (Dagoberto). Técnico: Vágner Mancini.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Tiago Costa; Derley (Danilo Pires), Uillian Correia, João Paulo (Wallyson), Arthur (Pisano) e Keno; Grafite. Técnico: Adriano Teixeira (interino).

Estádio: Barradão (Salvador-BA). Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira (MG). Assistentes: Luiz Antônio Barbosa (MG) e Marconi Helbert Vieira (MG). Gols: Diego Renan (Vitória, 5’ do 1T); Tiago Costa (Santa, 37’ do 1T), Willian Farias (Vitória, 2’ do 2T) e Pisano (Santa, 38’ do 2T). Cartões amarelos: Kieza (Vitória); Luan Peres, Danny Morais (Santa Cruz).Público: 6.797. Renda: R$ 91.803,00.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

domingo, 14 de agosto de 2016

A hora da virada


Fotografia de Paulo Paiva

A HORA DA VIRADA

Yuri de Lira

Sob às vistas do recém-contratado técnico Doriva, o Santa Cruz dá largada neste domingo no segundo turno da Série A. Às 16h, no Barradão, visita o Vitória. A primeira parte do campeonato é página virada. Embora sem o novo treinador à beira do gramado, o Tricolor tem desde já a obrigação de iniciar uma reação para se livrar do rebaixamento. Nesta última metade da competição, a tarefa é conquistar quase metade dos pontos a serem disputados. E os primeiros deles, mesmo ainda comandado pelo interino Adriano Teixeira, devem ser conquistados em Salvador.
Na era dos pontos corridos, nenhuma equipe caiu para a Série B com 46 pontos. Portanto, dos 57 pontos restantes em disputa neste Brasileirão, o Santa Cruz, segundo as projeções, precisaria abocanhar 28 para não cair de divisão. Se alcançar essa margem, chegará um aproveitamento de 49% nesta última metade do campeonato. Rendimento semelhante ao que Atlético-PR (52,6%) e Ponte Preta (47,4%) tiveram no primeiro turno, em que acabaram em sétimo e oitavo lugar, respectivamente. De quebra, o time coral seria o sétimo clube na história a se livrar da queda depois de terminar o primeiro turno com 18 pontos (atual pontuação coral) ou menos.
Esse tipo de missão não foi fácil para o Santa Cruz nem quando o clube jogava a Série B do Brasileiro no atual sistema de disputa, em vigor desde 2006. Até o ano passado, a pontuação máxima do Tricolor nos segundos turnos da Segundona foi de apenas 25 pontos. Só em 2015, entretanto, que o time coral quebrou esse “gelo” nos pontos corridos, conquistando 39 pontos que se traduziram no acesso à elite.
Hoje, uma reabilitação é igualmente necessária. O novo técnico estará nas tribunas do Barradão já para tentar compreender quais as necessidades da equipe e diagnosticar erros que devem ser corrigidos na sequência da competição. Algumas falhas, caso repetidas, já poderão ser vistas facilmente, a exemplo da instabilidade do sistema defensivo (que deve ser tornar ainda mais vulnerável a partir da ausência de Neris, machucado na coxa direita por um mês) e da inoperância de um setor de criação que tem custado para criar as jogadas para Keno e Grafite.
Pouco tempo depois do acerto da diretoria com Doriva, o interino Adriano Teixeira conversou por telefone com o recém-contratado comandante. Preferiu que o colega tirasse as suas próprias conclusões da equipe e deixou-o à vontade para começar um trabalho e implantar a sua filosofia no elenco. “Disse que ele viesse com a cabeça tranquila e com muita vontade de trabalhar. O treinador que estiver feliz, vai deixar o clima muito bom”, falou Teixeira. Neste domingo, porém, a missão é novamente do auxiliar. Os três pontos, um desejo para que possa repassar o cargo a Doriva com o Santa um pouco mais tranquilo na tabela. “A minha proposta é fazer um bom jogo, se doar dentro de campo e trazer um resultado positivo.”

Time
Para encarar o Vitória, o interino confirmou que vai manter a base da equipe de Milton Mendes. Mas prometeu "algumas mudanças", sem revelar quais, tampouco quantificá-las. Adriano Teixeira disse que tem a sua metodologia de trabalho e, consequentemente, sinalizou que trocas de peças e estratégia podem serão feitas. "A minha forma de trabalhar é diferente da dele, mas não se pode mudar muita coisa", declarou o interino. "Não é momento de invenção", completou. Certo é que é machucado Neris não joga. Luan Peres e Wellington são os cotados para a vaga na zaga. Após melhorar de dores no pé, Uillian Correia pode também retornar à titularidade e devolver Derley à reserva.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

A chegada de Doriva


Fotografia de Yuri de Lira

A CHEGADA DE DORIVA

Daniel Leal

Ainda com reforços para estrear (como o meia Matías Pisano, recém-regularizado) e prevendo um processo normal para conhecer mais o elenco, o novo técnico do Santa Cruz evitou em falar na necessidade de reforços. Doriva preferiu a cautela. E pediu tempo para trabalhar, detectar possíveis carências e, então, falar em buscar novos atletas para tentar tirar o clube do mau momento na Série A.
"Ainda não falamos (em reforços), mas vamos avaliar se há carências e aí sim comunicar à diretoria o pensamento, uma vez que tiver trabalhando, depois de uma semana, para ter mais noção", afirmou Doriva, no seu desembarque à capital pernambucana, na noite desta sexta-feira.
Técnico do Bahia até julho, Doriva enfrentou o Santa Cruz na semifinal da Copa do Nordeste - foi eliminado pelo Tricolor, que acabou campeão. E demonstrou conhecer bem o elenco que agora terá em mãos.
"Com alguns já trabalhei, outros enfrentei. Mas obviamente não é igual trabalhar o dia a dia... Vamos levar alguns dias para conhecer a maioria. Mas conheço alguns e isso vai ajudar no início. Conheço o Marcinho, Keno, João Paulo, Uillian Corrêa, o Danilo, que estava comigo no Bahia. E alguns dispensam cometários, como Léo Moura e Grafite. São jogadores que têm qualidade e capacidade e com certeza levantando a moral, estimulando, fazendo eles acreditarem que podem render em nível alto, vamos conseguir vitórias", pontuou.
O treinador ainda não estará à frente do time na rodada deste domingo, contra o Vitória, em Salvador. Doriva, porém, afirmou que pretende dar sua colaboração "com conversa". Na segunda-feira, começa a trabalhar para valer com o grupo. O treinador, então, deve fazer a estreia à frente do Tricolor, no dia 21, quando o Santa Cruz receberá o Fluminense, no Arruda, pela 21ª rodada da Série A.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 13/8/2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A saída de Milton Mendes


Fotografia de Ricardo Fernandes / DP

A SAÍDA DE MILTON MENDES

Yuri de Lira

Todos os dirigentes do Santa Cruz estiveram na sala de imprensa na tarde desta terça-feira para comunicar oficialmente o desligamento de Milton Mendes. O treinador e a cúpula coral se derreteram em elogios uns aos outros no dia de despedida. Rebateram o ambiente pesado nos vestiários do Arruda sob o comando do técnico e expuseram que promessas não cumpridas foram fundamentais para o fim da relação com o treinador.
Com a cota de televisão, a principal fonte de renda do clube, retida na Justiça do Trabalho desde o mês passado, a diretoria revelou que não conseguiu atender os anseios de reforços de Milton Mendes como o comandante gostaria. "Não conseguimos cumprir os nossos compromissos com ele porque tivemos que fazer uma readequação financeira" disse o presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes. "Coloquei que a gente tinha que adiar projetos. Hoje, chegamos à concordância que seria melhor paralisar o trabalho dele e criar uma outra lógica sobre o futuro do futebol", emendou.
O mandatário assumiu que, sem dinheiro em caixa, problemas estruturais questionados por Mendes (como a reforma do gramado do Arruda e o início da construção do CT) também não puderam ser solucionados. "A retenção da cota de TV limita investimentos. Num momento de sonho no início da gestão, falei que íamos fazer o CT. Mas não conseguimos recursos para sentar com a Comissão Patrimonial para esboçar o projeto", falou. Chegou até a ser mais duro nas palavras. "Estamos na elite do futebol brasileiro, mas não temos estrutura de clube de elite", pontuou.
Problemas à parte, o presidente se rasgou em elogios ao técnico. "Posso assegurar que, na minha experiência de um ano e meio no futebol, ele é o treinador mais qualificado que esteve à frente do Santa. O profissional que eu mais me identifiquei. Aprendi sobre futebol, táticas, jogadores. Sinto-me lisonjeado em ter recebido o professor. Tinha certeza que ele ficaria até dezembro de 2017, no fim do seu contrato e do nosso mandato." 
Mendes, por sua vez, retribuiu as palavras. Não só a Alirio, como também ao restante da direção, toda presente na coletiva no Arruda (estavam os diretores Jomar Rocha, Ataíde Macedo e Hélder Moura, além do vice presdiente Constantino Júnior). "Era mais do que natural que tivéssemos rumos diferentes. Mas os homens que estão aqui são os que mais lutam pelo clube. Três desses profissionais põem dinheiro no clube. Tentaram de tudo. Infelizmente, as coisas não aconteceram", disse.
"Tininho (Constantino) chora pelo clube. É um ser-humano que se dedica e não recebe um tostão. Sem contar Ataíde, um dos caras que mais admiro e tenho amizade. O Jomar.. o Hélder aprendi a respeitar. Conseguiu para a gente um ônibus leito de Fortaleza para não haver desgaste nas viagens. Só tenho a dizer coisas boas deles, nada de ruim. Uma vez disse que só não saí deste clube por causa deles. Aqui fica uma boa relação e isso não é fácil no futebol", complementou o treinador.
Milton, que passou por momentos de excesso de cobranças com o elenco também não esqueceu de lembrar dos atletas. "Só tenho que bater palmas para eles." Mostrou-se ainda otimista com a saída do time da zona do rebaixamento sem ele no comando. "Quero dizer a todos os jogadores e funcionários que, enquanto o coração bate, temos que ter esperança."

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 09/8/2016