terça-feira, 21 de novembro de 2017

Futuro incerto


FUTURO INCERTO

Rafael Brasileiro

Na derrota do último sábado por 4 a 2 para o Paysandu, apenas um jogador do Santa Cruz pode ter saído menos abalado. O volante Marcílio marcou um golaço de fora da área em uma rara chance recebida em 2017. Foi a segunda partida que o atleta atuou na temporada pelo Tricolor do Arruda e a contra o Juventude, caso seja acionado pode ser a última com a camisa coral.
Com contrato sendo finalizado em dezembro, Marcílio ainda não sabe se terá o seu vínculo renovado. Talvez o gol contra o Paysandu possa ser o combustível que faltava para que as conversas entre o atleta e o clube esquentem para uma possível permanência.
“Desde 2011, estou aqui no clube e tenho identificação muito boa. Não chegou nada para mim nem para o meu empresário. Por mim eu fico aqui, quero jogar aqui e quero fazer história”, avisou.
Promovido aos profissionais em 2015, sob o comando de Marcelo Martelotte, Marcílio teve algumas chances em 2016 e poderia ter crescido mais em 2017 quando foi emprestado para o Sampaio Corrêa no início do ano. Mas as lesões o atrapalharam. Ao menos no crescimento dentro de campo.
“No Sampaio foi difícil porque cheguei lá e me machuquei. Fiquei dois meses lesionado e não tive uma sequência de jogos Como jogador não foi uma experiência muito boa, mas como pessoa cresci muito. Faltou ganhar experiência dentro de campo”, comentou.
Agora, o volante terá que esperar os caminhos políticos do Santa Cruz se definirem para que ele saiba se receberá proposta para ficar no Arruda ou se terá que buscar novos ares.
Fonte: Diario de Pernambuco, 20/11/2017

Chapas de eleição do Santa têm até terça para se inscrever


CHAPAS DE ELEIÇÃO DO SANTA CRUZ TÊM ATÉ TERÇA PARA SE INSCREVER

Daniel Lima

Os candidatos que vão concorrer a eleição presidencial do Santa Cruz no dia 5 de dezembro, segundo o Estatuto do clube, têm até terça-feira (21) para inscrever as respectivas chapas. A disputa do pleito promete ser acirrada no Arruda. O nome da situação ainda está indefinido porque Antônio Luiz Neto, presidente da Comissão Patrimonial, segue internado desde o último sábado, no hospital Coração (HCor-SP), em São Paulo.
Os opositores são o administrador e professor Albertino dos Anjos, ex-diretor de futebol na gestão de Jonas Alvarenga, em 1999 e 2000, e de ALN, em 2011 e 2012, e o economista Fábio Melo. As chapas são Muda Santa Cruz, inscrita nesta segunda-feira (20), e Santa Cruz do Povo, respectivamente.
 
ALN

Em conversa com a reportagem da Folha de Pernambuco, a esposa de Antônio Luiz Neto, Igara Silva, que também é medica, disse que não há previsão para ele receber alta. Isso porque exames clínicos ainda estão sendo realizados. “Aparentemente ele está bem. Ainda estamos em São Paulo e vamos aguardar os resultados finais. Estamos esperando o diagnóstico”, disse. Vale lembrar que ALN já foi presidente do Santa por dois mandatos (2011-2012/2013-2014) e desta vez pode pintar como o sucessor de Alírio Moraes. 

Fonte: Folha de Pernambuco, 20/11/2017

Símbolo da consciência negra

 Fotografia de Ed Machado / Folha de PE

SÍMBOLO DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Daniel Lima
Um dos símbolos da Consciência Negra, comemorada neste 20 de novembro em referência ao dia da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, Grafite luta desde jovem contra o racismo. A vasta experiência no futebol lhe deu ensinamentos e o transformou em um cidadão. Para o atacante, o debate sobre o preconceito no Brasil está atrasado comparado aos países europeus. Sua vivência de oito anos pelo mundo afora – França, Alemanha, Emirados Árabes e Catar – o fez construir uma opinião em relação à desigualdade.
“Sempre bati na tecla que o engajamento contra o racismo em nosso país é muito pouco. Vivi seis anos na Europa e as campanhas são constantes lá. Lembro que fazíamos isso do mês de maio até agosto. Eram fotos, propagandas e ainda entrávamos nos jogos com panfletos, camisetas, cartazes e faixas”, declarou o camisa 23 em entrevista concedida à reportagem da Folha de Pernambuco.
Em sua extensa carreira, o ídolo da torcida do Santa Cruz já foi vítima de racismo quando defendia o São Paulo, em 2005, na Libertadores da América. Na ocasião, foi ofendido dentro de campo pelo argentino Desábato, que jogava no Quilmes e chegou a ser denunciado à época. O caso de Grafite não foi único, inclusive ele percebeu que os brasileiros só se sensibilizam quando acontecem episódios mais graves.
“No Brasil só falam em racismo nas datas especiais ou depois que ocorrem ofensas como a minha há 12 anos. O mesmo já aconteceu com Tinga, Elias e Aranha. Aqui é tudo momentâneo. Nossa sociedade tem memória curta e se esquece dos fatos muito rápido”, lamentou.
O atacante de 38 anos ainda afirmou que todas as pessoas deveriam receber o mesmo tratamento e disse que a educação é o caminho para combater a discriminação racial. “Sei que é difícil essa questão da etnia, mas o ser humano não nasce odiando ninguém por conta da cor de pele, religião e nacionalidade. Não poderia existir racismo por nada nesse mundo, porém depende muito da educação das pessoas. Vai de cada um e cabe a nós lutar contra o preconceito no nosso dia a dia”, pontuou.


Fonte: Folha de Pernambuco, 20/11/2017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Maracutaia?


MARACUTAIA?

O campo de jogo do Santa Cruz agora é outro. Rebaixado há duas rodadas para a Série C, a disputa agora é na política. E quem está no ataque é a oposição. Mais especificamente, a chapa muda Santa Cruz, encabeçada por Albertino dos Anjos. Por intermédio da Justiça, o empresário obteve a lista de sócios cadastrados no clube. E encontrou algumas surpresas. Além de nomes de sócios “estranhos”, o próprio Albertino aparecia na lista como “inadimplente”, fato que ele desmente.
O dirigente alega que fez o pagamento de todas as mensalidades deste ano de uma só vez. Enviou para a reportagem boleto no valor de R$ 720,00 (setecentos e vinte reais) emitido em 9 de agosto de 2017, com vencimento no dia 13 de agosto, que caiu num domingo. Enviou também o comprovante de pagamento do boleto, datado de 14 de agosto (segunda-feira), primeiro dia útil após o vencimento.
“Eu tenho prova de que paguei a mensalidade do clube até dezembro. Se não está nos cofres do clube, eu quero saber onde foi parar. Se teve outra destinação, isso é apropriação indébita”, suspeitou o candidato. Albertino também questionou de forma veemente a presença de nomes “bizarros” presentes na lista, como “Fulano de Tal” e “Casado”, o que para ele são indícios de irregularidade. “Vou atrás desse Fulano de Tal para que ele vote em mim. E vou pesquisar esses ‘Casados’ também. Ou vou atrás de ‘Solteiro’, para tentar ganhar esse voto”, ironizou.
Diante dos problemas, Albertino promete ingressar com um pedido administrativo nesta segunda-feira, junto ao Santa Cruz, para obter a prestação de contas junto à atual gestão do dinheiro pago pelos sócios. Caso a sua demanda não seja atendida, fará o pedido judicialmente.


Resposta

Procurado pelo Superesportes, o diretor de marketing do Santa Cruz e responsável pelas campanhas de sócios, Dênis Victor, minimizou os problemas suscitados por Albertino. Sobre os “nomes bizarros” na lista, ele alegou que o preenchimento do cadastro de sócios é feito através de formulário na internet.
“Esse lance do fulano de tal, de ter dois nomes iguais... Se você reparar, os dois nomes iguais, o CPF é diferente, então são pessoas diferentes. O fulano de tal ou qualquer outro nome que apareça, quando você vai se cadastrar você se cadastra pela internet. Você vira sócio pela internet. Você bota o que você quiser. Isso não influencia em absolutamente nada a eleição porque, pelo estatuto do clube, cada urna tem um representante de cada chapa. É assim que funciona a eleição. E, obrigatoriamente, na hora do voto, se consulta pelo CPF o nome que está na lista e o associado tem que apresentar um documento com nome, CPF e foto. Então, se ele botou lá fulano de tal ou um CPF que ele criou lá, em qualquer gerador de CPF, ele vai chegar lá e não vai ter documento para apresentar. Não vai votar”, alega.
A justificativa não foi aceita por Albertino, que questionou a ausência de uma verificação dos dados inseridos nos cadastros do Santa Cruz, com um cruzamento com os dados na Receita Federal, por exemplo. “Isso é um argumento de quem é incompetente. De quem está brincando com o Santa Cruz. Porque há um encontro de informações. Não pode ser assim”, diz.
Quanto à inadimplência de Albertino, Dênis, após verificar o sistema, alegou que foram gerados três boletos no mesmo dia, no caso 9 de agosto. Por volta das 9h, das 12h e das 17h. Segundo ele, o boleto pago foi o do meio e por conta disso a situação de Albertino ficou registrada como “inadimplente”, o que ele admite ser uma falha do sistema. “Ele gerou os três boletos com a mesma condição, da anuidade. (...) O sistema ficou no aguardo que ele pagasse o último boleto que ele imprimiu. Por isso que acabou ficando como inadimplente, só para justificar o motivo do erro, mas ele está adimplente.” 


Fonte: Diario de Pernambuco, 19/11/2017

Paysandu 4 x 2 Santa Cruz

 Lance do jogo entre Santa Cruz e Paysandu, no estádio da Curuzu

PAYSANDU 4 x 2 SANTA CRUZ


Daniel Lima

Já rebaixado à Série C, restava entrar em campo apenas para cumprir tabela e honrar a camisa. Apesar da dignidade e da valentia, o Santa Cruz foi derrotado pelo Paysandu por 4x2, neste sábado (18), no estádio da Curuzu, pela 37ª rodada e penúltima do Campeonato Brasileiro da Série B. Com mais um revés, o jejum dos tricolores, que caíram para 19ª posição, com 34 pontos, aumenta para 13 partidas (sete empates e seis derrotas). São mais de dois meses sem vitória. A participação na competição será encerrada na próxima terça-feira (21), diante do Juventude.
Com oito modificações na escalação e sob o comando do técnico interino Adriano Teixeira, o Santa foi dominado pelo Papão da Curuzu do primeiro ao último minuto da etapa inicial. Com a superioridade dos paraenses dentro de campo, os pernambucanos apenas se defendiam e tentavam encaixar um contra-ataque para surpreender. O gol dos donos da casa estava maduro, mas o goleiro Jacsson segurava o ímpeto ofensivo do adversário. Mas aos 27 minutos as redes foram balançadas por Bergson, que aproveitou o desviou de cabeça de Caion na entrada da pequena área e chutou para as redes.
Dois minutos depois, os Bicolores ampliaram a vantagem com Fábio Matos. O atacante só teve o trabalho de empurrar a bola para o fundo do gol após um cruzamento primoroso de Magno pelo lado direito. Mesmo no prejuízo, a Cobra Coral não mudou a postura e escapou de ir para o intervalo com uma goleada, mas o goleiro Jacsson salvou a pele do Tricolor com duas boas defesas e evitou um vexame maior.
Mesmo o ritmo caindo no segundo tempo, dois gols foram marcados em 20 minutos. O Santa Cruz diminuiu o marcador com Augusto, que recebeu um ótimo passe de William Barbio e fuzilou as redes aos 12. Logo em seguida, Ayrton cruzou rasteiro e deixou Bergson em excelentes condições para marcar o terceiro gol do Paysandu e o seu segundo no jogo.
Enquanto os paraenses valorizaram a posse de bola para segurar o resultado, os corais buscavam uma reação para ficar vivo na partida. E, aos 30 minutos, Marcílio acertou um chutaço de fora da área e balançou as redes do goleiro Marcos, que nada pôde fazer. Nos minutos finais, Bergson sacramentou a vitória do Papão por 4 x 2 ao marcar o seu terceiro tento na partida.

Ficha técnica 

PAYSANDU: Marcos; Ayrton, Diego Ivo, Rafael Dumas e Guilherme Santos; Renato Augusto, Rodrigo Andrade (Augusto Recife) e Fábio Matos (Jhonnatan); Caion (Marcão), Magno e Bergson. Técnico: Marquinhos Santos.

SANTA CRUZ: Jacsson, Bruno Silva, Anderson Salles, Sandro e Yuri; Wellington Cezar (Ítalo), Lucas Gomes e Natan (Marcílio); Bruno Paulo (William Barbio), Augusto e Halef Pitbull. Técnico: Adriano Teixeira (interino).
 

Local: Estádio da Curuzu (Belém/PA). Horário: 16h30 (do Recife). Árbitro: Jean Pierre Gonçalves Lima (RS). Assistentes: Lúcio Beiersdorf Flor e Leirson Peng Martins (ambos do RS). Gols: Bergson (aos 27 minutos do 1T, aos 16 e 41 do 2T) e Fábio Matos (aos 29 minutos do 1T); Augusto (aos 12 minutos do 2T) e Marcílio (aos 30 minutos do 2T). Cartões amarelos: Fábio Matos (Paysandu); Bruno Paulo, Yuri e Augusto (Santa Cruz).

Fonte: Folha de Pernambuco, 18/11/2017

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Atletas detonam a direção



ATLETAS DETONAM A DIREÇÃO

Daniel Lima

O Santa Cruz escapou de um vexame que poderia ser, talvez, o maior em seus 103 anos de história. Com a ameaça dos jogadores de não entrar em campo diante do Paraná, havia o risco de uma derrota por WO, no estádio do Arruda, na última terça-feira, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. Mas após a reunião com a diretoria momentos antes da partida, o elenco decidiu jogar e ficou no empate sem gols.
Logo depois do confronto, os jogadores disseram que só atuaram para não prejudicar o clube, que poderia sofrer uma punição severa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) caso não houvesse jogo. 
“Quero deixar claro que entramos em campo e lutamos por causa do torcedor. Mesmo que grande parte da torcida não estivesse no estádio, jogamos representando os demais. O Santa Cruz é um clube forte nacionalmente. Por isso chegamos a conclusão de entrar em campo e jogar com dignidade. Mas que fique bem claro que não foi pela promessa da diretoria. Porque sabemos que não vai ter nada", disparou o atacante Ricardo Bueno.
O outro líder do elenco, o goleiro Julio Cesar, fez coro ao camisa 99 e destacou o profissionalismo do grupo. “Não iríamos jogar. Mas, se parássemos, o clube poderia se prejudicar muito. E em respeito ao torcedor, cada profissional aqui entrou em campo e deu o seu melhor", declarou.
 
REUNIÃO

Horas antes da partida contra o Paraná, os líderes do elenco – Julio Cesar, Derley, Ricardo Bueno e Grafite – participaram de uma reunião com o presidente Alírio Moraes e fizeram um acordo para o pagamento dos salários atrasados. A nova promessa é quitar uma folha das três atrasadas do grupo e dois meses dos seis dos funcionários.

Fonte: Folha de Pernambuco, 16/11/2017
 

Martelotte abre o jogo


MARTELLOTE ABRE O JOGO

Daniel Lima

Um dia depois de ser demitido do Santa Cruz, o técnico Marcelo Martelotte concedeu uma entrevista coletiva – realizada em um hotel no bairro do Pina, no Recife, na manhã desta quinta-feira (16) – para esclarecer a real situação e dar detalhes sobre a sua saída. Pego de surpresa com o desligamento, ele achou injusta a forma como a diretoria o tirou do cargo e até sentiu uma falta de profissionalismo por parte do clube.
Sereno, o ex-treinador coral abriu o jogo e expôs mais uma vez a dura realidade no Arruda. Reforçou que a situação é crítica e que o caos tomou conta há tempo. O profissional saiu em defesa dos jogadores do elenco e criticou a gestão. Sobre o seu futuro, Martelotte deixou em aberto, mas não descartou voltar em 2018. Porém, disse que uma negociação depende da eleição presidencial, marcada para o dia 5 de dezembro. Apesar de tantos problemas que tentou gerir em mais de dois meses de trabalho e do rebaixamento à Série C, ele tirou lições em sua terceira passagem no comando.
A reportagem da Folha de Pernambuco selecionou trechos do papo de Marcelo Martelotte com a imprensa.

SURPRESA


"Fiquei surpreso com a saída porque faltam poucos dias para o fim da participação do Santa na Série B. Eu não esperava que tomassem essa decisão nesse momento. É difícil entender os motivos da demissão. Estava preparado para cumprir (meu contrato) até o final, mas no futebol estamos acostumados com esses problemas e tipos de situações”, desabafou.

INJUSTIÇA
 

“Para um time rebaixado, era mais fácil utilizar o resultado (para demitir), algo totalmente natural no Brasil. Quando se procura outros motivos e aspectos, as coisas ficam mais difíceis. Era muito difícil não defender os jogadores por tudo que vem acontecendo. A situação da diretoria é insustentável e indefensável”, declarou.

GESTÃO
 

“Alguns aspectos dessa direção deixam a desejar. Mas se for pensar no futuro tem eleição no fim do ano. Espero que uma nova gestão toque o Santa Cruz. Com relação aos últimos três anos, faltou administração. Em 2015, conquistamos o acesso à Série A e ali tínhamos uma grande possibilidade de organizar o clube, se reestruturando e se preparando melhor. Dois anos depois, desce para a Série C e numa situação pior da que nos encontrávamos antes. Esse cenário desenha e mostra o quanto foi desastroso”, criticou.

ELENCO
 

“O grupo era excelente. Criei relações com os jogadores e sabia das dificuldades quando cheguei. A primeira coisa que falei para os atletas era que eles tinham o direito de rescindir o contrato e ir para casa. Mas quem ficasse tinha que brigar até o fim. E eles entenderam (a mensagem). Tivemos a saída de alguns (atletas) porque a situação era extrema. Quem ficou aqui lutou e se empenhou dentro de campo, até chegar ao limite. Realmente é muito triste”, lamentou.

REALIDADE
 

“Está pior que no ano passado. Não estava aqui no fim da temporada passada, mas o cenário é parecido com o atual. Não evoluímos em nada. A dificuldade é muito grande. É uma situação que entristece bastante e a gente espera que seja modificada”, revelou.

SALÁRIOS
 

“Tivemos uma resposta dos atletas mesmo com tantos problemas. No momento em que conseguimos uma certa ‘tranquilidade’, a direção não aproveitou. A gente teve uma hora de equilíbrio, inclusive só pensamos em treinos e nos jogos. Mas sabíamos que tinha uma prazo de validade e uma horta a bomba iria estourar. Tínhamos consciência dessa perspectiva e esses problemas de hoje não melhoraram em nenhum sentido”, disparou.

FUTURO
 

“Sempre aceitei conversar com diretores, até porque sempre coloco o clube acima de qualquer dirigente. Já trabalhei aqui duas vezes como atleta e três como técnico. Conheço a grande maioria dos dirigentes e a história do Santa Cruz. Não me recusaria nunca a conversar e espero que a eleição seja bem conduzida para o melhor do clube”, afirmou.

APRENDIZADO
 

“Rebaixamento ninguém põe no currículo, mas fica a experiência. Temos que tirar proveito dos insucessos também. Serviu como aprendizado apesar de o resultado não ter vindo. Vou levar alguns aspectos positivos para a sequência da minha carreira. Fica pra mim a experiência de viver uma situação de dificuldade”, encerrou.

Fonte: Folha de Pernambuco, 16/11/2017

Santa Cruz 0 x 0 Paraná

Fotografia de Paullo Almeida / Folha de PE

SANTA CRUZ 0 x 0 PARANÁ

Paulo Henrique Tavares

De um lado o Santa Cruz, um time rebaixado e com graves problemas no extracampo. Do outro, um Paraná Clube com reais chances de acesso à Série A. Naturalmente, os prognósticos para o jogo de ontem direcionavam para uma vitória dos visitantes, ontem, no estádio do Arruda, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Em campo, não foi isso que aconteceu. Os corais, inclusive, até fizeram um bom jogo, conseguiram criar as melhores chances e chegaram ficar mais próximos da vitória. Apesar da expulsão de João Paulo na metade do segundo tempo, o placar do jogo não foi alterado, com a partida ficando no 0x0. Na próxima rodada, os tricolores visitarão o Paysandu, às 16h30 do próximo sábado.
Por conta dos salários atrasados, que já se aproximam de quatro meses, existia uma expectativa de que os atletas do Santa Cruz não entrassem em campo diante do Paraná na noite de ontem. Essa possibilidade, no entanto, foi descartada horas antes do duelo. Em campo, inicialmente, o que se viu foi um time pouco motivado. Algo natural, afinal os tricolores estavam apenas cumprindo tabela devido ao rebaixamento já decretado. Mesmo assim, durante o primeiro tempo, foi possível ver chances sendo protagonizadas tanto pelos corais quanto pelos visitantes paranaenses. As melhores oportunidades do Santa Cruz aconteceram em lances envolvendo o centroavante Ricardo Bueno, que por duas vezes finalizou frente a frente ao goleiro Richard.
O fato de ainda brigar pelo acesso à Série A deixava a impressão que o Paraná seria uma equipe mais agressiva no campo ofensivo. Algo que deixou a desejar na primeira etapa. E o mesmo não foi visto no início da segunda etapa. Pelo contrário, as melhoras chances estiveram do lado coral, que desperdiçou oportunidades com André Luiz e Augusto. De fato, o Santa Cruz se mostrava melhor no jogo. Até que, aos 26 minutos, João Paulo acabou expulso, por entrada forte no defensor do Paraná. Isso fez impedir o ímpeto coral durante a reta final do segundo tempo. Pelo outro lado, os adversários paranaenses não conseguiram penetrar na defesa coral. Sendo assim, a partida acabou no 0x0. No final, boa parte dos torcedores presentes no Arruda aplaudiu o time.

Ficha técnica
SANTA CRUZ: Julio Cesar; Bruno Silva, Anderson Salles e Sandro; Derley, Wellington Cézar, Thiago Primão (Marcílio) e João Paulo; Grafite (Augusto), Ricardo Bueno e André Luís (Natan). Técnico: Marcelo Martelotte.

PARANÁ: Richard; Cristovam, Iago Maidana, Eduardo Brock e Rayan (Igor); Gabriel Dias, Vinícius Kiss (Leandro Vilela) e Renatinho; Vítor Feijão, Robson e João Pedro (Alemão). Técnico: Matheus Costa.

Local: Estádio do Arruda (Recife/PE). Horário: 20h30 (do Recife). Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG). Assistentes: Guilherme Dias Camilo e Sidmar dos Santos Meurer (ambos de MG). Cartões amarelos: Thiago Primão, João Paulo (Santa Cruz); Vítor Feijão (Paraná). Cartão vermelho: João Paulo (Santa Cruz). Público: 2005. Renda: R$ 4.330,00.


Fonte: Folha de Pernambuco, 14/11/2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Os possíveis adversários de Náutico e Santa na Série C


OS POSSÍVEIS ADVERSÁRIOS DE NÁUTICO E SANTA NA SÉRIE C

Mário Fontes
Com o final da temporada chegando, acessos e descensos sendo definidos, os campeonatos nacionais de 2018 começam a ser desenhados. Com Náutico e Santa Cruz rebaixados na Série B, o grupo A, que compreende equipes do Norte e Nordeste, começa a tomar forma.
Caso o formato da competição seja mantido, além dos dois pernambucanos, há também o ABC, já matematicamente rebaixado na Série B. Entre as equipes que permaneceram na Série C 2017, o Confiança, que caiu nas quartas de final para o São Bento. Complementando, Salgueiro (5º colocado), Remo (7º colocado) e Botafogo-PB (8º colocado).
Já os que subiram, dois do nordeste e um do Norte, que deverão completar o grupo A: Globo-RN, Juazeirense e Atlético Acreano-AC.
Desta vez, com duas equipes do Norte, a distância percorrida pelos clubes pernambucanos tende a ser maior. Por exemplo, a distância para Rio Branco, no Acre, é de quase 4.600km. Pouco mais de 6h em vôo direto de avião. Um dos desafios desta Série C.
Pra o grupo B, uma possível mudança: o Cuiabá, que jogou no grupo A em 2017, poderá ser deslocado para o grupo B, devido à proximidade geográfica com o sudeste.
Completando, estão Volta Redonda, Tombense e Tupi (eliminados nas quartas), Joinville, Botafogo-SP, Ypiranga-RS e Bragantino, eliminados na primeira fase, e Luverdense (no Z4 da Série B) e Operário-PR, campeão da Série D.
Caso o último clube a ser rebaixado na Série B seja um nordestino, um novo deslocamento poderá ser feito.
 

Veja como ficaria o desenho da Série C neste momento:

Grupo A: Náutico, Santa Cruz, ABC-RN, Confiança-SE, Salgueiro-PE, Remo-PA, Botafogo-PB, Globo-RN, Juazeirense-BA, Atlético Acreano-AC.

Grupo B: Volta Redonda-RJ, Tombense-MG, Tupi-MG, Cuiabá-MT, Joinville-SC, Botafogo-SP, Ypiranga-RS, Bragantino-SP, Operário-PR, Luverdense-MT.


Fonte: Folha de Pernambuco, 13/11/2017
 

Ou paga ou para


OU PAGA OU PARA

Daniel Lima

Após reunião com a diretoria na última quinta-feira, os jogadores do Santa Cruz deram um prazo para o recebimento de parte dos salários atrasados. Com ameaça de greve geral, a reivindicação dos profissionais é o pagamento de pelo menos uma folha ao elenco e duas aos funcionários, que têm seis meses em aberto, até a próxima terça-feira (14). Como a denúncia foi feita junto ao Sindicato dos Atletas, o clube corre o risco de ser punido caso o acordo não seja cumprido.
De acordo com o atacante Grafite – considerado o porta-voz do grupo –, denunciar o clube foi o último recurso que os jogadores poderiam utilizar. Se o presidente Alírio Moraes não pagar parte dos débitos, os atletas não devem entrar em campo diante do Paraná Clube, nesta terça-feira (14), no estádio do Arruda, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B.
A crise financeira foi escancarada no segundo semestre do ano passado. A situação de caos e a falta de perspectiva, além das promessas não cumpridas, desaninam os jogadores e os funcionários no dia a dia. Por conta dos sérios problemas, o ambiente no clube é pesado. Além do momento crítico, o time foi rebaixado à Série C com três rodadas de antecedência e agora só cumpre tabela no Brasileiro.
 
Fonte: Folha de Pernambuco, 13/11/2017

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A cartilha da queda


A CARTILHA DA QUEDA

Rafael Brasileiro
A derrota por 4 a 2 para o Boa Esporte, neste sábado, no estádio Nilson de Melo, decretou o rebaixamento do Santa Cruz para a Série C de 2018. A situação no Arruda era complicada há muito tempo. A zona de rebaixamento era uma realidade já no início do segundo turno. Fruto de erros consecutivos, causados por problemas financeiros e administrativos que assombram o Arruda.
O Superesportes listou algumas razões para o Tricolor do Arruda voltar à terceira divisão do futebol brasileiro. Dez anos depois da primeira à Série C, os tricolores voltam a sentir a sensação do fundo do poço se aproximar.
 

Crise financeira
 

Atrasar salários nunca foi novidade no Arruda. É um problema crônico que vem sendo superado ano a ano, mas desde 2016 se agravou. No ano que o clube teve sua maior arrecadação, o Tricolor do Arruda atrasou quatro meses de salários e isso refletiu em 2017. O clube chegou a dever os mesmos quatro meses nesta temporada ao elenco. Alguns funcionários não sabem o que é receber há seis meses. Situação que levou o time a perder três pontos na Série A de 2016 e provocar um alarme de greve em 2017.
 

Reformulação total do elenco
 

Do elenco de 2016, poucos atletas como Tiago Costa, Vitor, Roberto, Gabriel Vallés, Wellington Cézar e alguns pratas da casa ficaram no clube. Um problema que fez a direção contratar 35 atletas durante a temporada. Na contramão da administração moderna, em que contratos longos e a formação de uma base são prioridade nos clubes.
Desde 2011, quando conseguiu sair da Série C, o Santa Cruz vinha mantendo a base da equipe. Mas, após a queda da Série A, não repetiu as lições da temporadas passadas.
 

Jogadores em baixa
 

Nesta reformulação, a grande maioria dos jogadores vinha de uma temporada ruim. Isso ficou claro em pouco tempo quando nomes como Léo Costa, Everton Santos, William Barbio e David não conseguiram mostrar alguma evolução com o andar da temporada. Durante a Série B, novas apostas em nomes como Léo Lima, Bruno Paulo e João Ananias e o resultado foi o mesmo. Falta de qualidade e futebol decepcionante.
 

Erros na escolha do comando técnico
 

Givanildo Oliveira foi demitido após seis derrotas seguidas O técnico que iniciou o ano foi Vinícius Eutrópio. Ele não resistiu ao primeiro momento de crise na Série B. O treinador foi demitido após a derrota por 3 a 1 para o Londrina, no Arruda, mas isso foi apenas o reflexo de eliminações nas semifinais da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano.
A aposta foi que o auxiliar técnico Adriano Teixeira teria condições de comandar a equipe, mas não durou cinco jogos. Em seguida, veio Givanildo Oliveira, que, nos bastidores, é apontada como uma decisão do presidente Alírio Moraes. Experimento que também não deu certo e afundou o clube na zona de rebaixamento. Givanildo dirigiu o Santa em 11 jogos nesta Série B: ganhou duas, empatou três e perdeu seis seguidas.
Por fim, Marcelo Martelotte chegou como bombeiro, mas não conseguiu melhorar um elenco derrubado por um ano inteiro de maus resultados.
 

Os erros administrativos  
O mandato de Alírio Moraes no comando do Santa Cruz foi dividido exatamente ao meio. Os primeiros 18 meses foram inesquecíveis. Dois títulos pernambucanos, conquista da Copa do Nordeste e acesso à Série A. Após o bicampeonato estadual tudo mudou. Período para esquecer. O clube mergulhou em uma crise financeira sem precedentes e o presidente Alírio Moraes foi tentando resolver os problemas sozinho e se isolando cada vez mais. As pesadas críticas o deixaram ainda mais recluso e no momento ele deseja apenas sanar as dívidas para deixar o clube em uma situação mínima de administração.

Fonte: Diario de Pernambuco, 11/11/2017

Culpando os bloqueios


CULPANDO OS BLOQUEIOS

Daniel Lima

O Santa Cruz sempre viveu problemas financeiros em seus 103 anos de história. As dívidas do passado dificultam no presente. A nova crise que o clube passa veio à tona ainda no segundo semestre de 2016, marcado pelo rebaixamento da Série A para a B. Nesta temporada, o roteiro se repetiu no Arruda e terminou em outra queda um ano depois. Desta vez, caiu num buraco mais fundo: Terceira Divisão do futebol brasileiro.
Com um fim de gestão doloroso, o presidente Alírio Moraes usou um discurso idêntico ao do ano passado para dar explicações sobre o que provocou o descenso. De acordo com o mandatário, o Santa contava com cotas para sobreviver na temporada, mas a maioria delas foi bloqueada por conta de processos na Justiça do Trabalho.
“Esse ano o cenário foi de uma crise econômica de uma grande proporção. Perdemos receitas importantes para honrar os compromissos. O nosso plano financeiro (traçado) era de manter o clube operando durante o triênio, mas enfrentamos problemas significativos”, comentou.
As verbas presas comprometeram o planejamento, porém o clube conseguiu arrecadar com premiações. Na Copa do Nordeste, ganhou R$ 1,6 milhão por chegar até as semifinais. Já no Campeonato Pernambuco, cerca de R$ 950 mil, além de uma cota de R$ 1,05 milhão pela disputa das oitavas de final da Copa do Brasil.
Pela falta de recursos, os salários atrasados têm infernizado os bastidores. A situação é grave. O elenco não recebe há três meses, enquanto os funcionários estão com mais de cinco folhas em aberto. “O nosso passivo vem sendo pago, mas falta dinheiro para pagar o presente. Cada mês aparece uma penhora (leilão) do estádio e a gente não tem receita para abraçar as obrigações”, finalizou o presidente Alírio Moraes. 


Fonte: Folha de Pernambuco, 12/11/2017

Boa Esporte 4 x 2 Santa Cruz


BOA ESPORTE 4 x 2 SANTA CRUZ

Yuri Teixeira

O Santa Cruz foi a Varginha, Minas Gerais, com o objetivo de continuar respirando na Série B do Campeonato Brasileiro. Mas não foi o que aconteceu. Com Rodolfo inspirado, o Boa Esporte passou por cima da equipe coral e venceu pelo placar de 4x2, em confronto válido pela 35ª rodada. O resultado rebaixa o Tricolor à Série C, uma vez que o Guarani venceu o CRB por 2x1 no complemento da rodada, tirando as chances matemáticas dos pernambucanos permanecerem na segunda divisão.
Como de praxe, o time da casa foi para cima e não deixava os comandados de Martelotte respirar em campo. Fellipe Mateus era a válvula de escape dos mineiros e antes de ser substituído com dores na cabeça, o meia achou Rodolfo na área. O atacante foi derrubado por Wellington Cézar e o árbitro assinalou pênalti. Na cobrança, o camisa 9 deslocou Júlio César e botou os mandantes na frente. A resposta do Santa veio um minuto depois, aos 15. Ricardo Bueno aproveitou falha do goleiro Fabrício e deixou tudo igual.
O gol animou o time coral, que passou a dominar as ações do confronto. Com muita vontade, mas pouca técnica, faltava ao time pernambucano caprichar na pontaria e o castigo quase veio ao fim da primeira parte do jogo. Geandro, obrigando Júlio César a fazer grande defesa, e Paulinho, mandando a bola rente à trave, quase colocaram o Boa em vantagem no marcador.
Na volta para os últimos 45 minutos, o cenário da etapa inicial se repetia em Varginha. Martelotte voltou com Derley na vaga de Walber, na direita, mas os donos da casa, que também brigam contra a degola, tomavam conta do jogo e deixavam a Cobra Coral com dificuldades na criação. O prêmio veio aos 18.
Destaque do duelo, Rodolfo recebeu na entrada da área, girou em cima da zaga e bateu no canto esquerdo de Júlio César, fazendo 2x1. Diferentemente do acontecido no primeiro tempo, o Santa Cruz não conseguiu reagir, e cinco minutos mais tarde viu o camisa 9 mineiro anotar o terceiro, em pênalti polêmico.
Já com Grafite e Bruno Silva em campo, nas vagas de Bruno Paulo e Yuri, respectivamente, os pernambucanos, visivelmente abatidos em campo, viram Wesley anotar o dele para fazer 4x1, aos 34. Em seguida, o camisa 23 descontou para os corais, dando números finais ao embate.

FICHA TÉCNICA

BOA ESPORTE: Fabrício; Geandro, Caíque, Douglas Assis e Elivelton; Escobar, Alyson (Wesley) e Felipe Mateus (Lucas Hulk); Reis, Paulinho e Rodolfo (Júlio Santos). Técnico: Sidney Moraes.

SANTA CRUZ: Julio Cesar; Walber (Derley), Guilherme Mattis, Anderson Salles e Yuri (Bruno Silva); Wellington Cézar, Thiago Primão e João Paulo; Bruno Paulo (Grafite), Ricardo Bueno e André Luís. Técnico: Marcelo Martelotte.

Local: Estádio Munipal de Varginha (Varginha/MG). Árbitro: Paulo Roberto Alves Junior (PR). Assistentes: Bruno Boschilia e Victor Hugo Imazu dos Santos (ambos do PR). Gols: Rodolfo (aos 14’ 1T, 18’ 2T e 23’ 2T) e Wesley (34’ 2T) (BOA); Ricardo Bueno (aos 15’ 1T) e Grafite (37’ 2T) (STA)
Cartões amarelos: Escobar, Lucas Hulk (BOA); Bruno Paulo, Júlio César, Grafite, Primão e Mattis (STA). 


Fonte: Folha de Pernambuco,  11/11/2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Por recomendação do sindicato, atletas do Santa Cruz adiam greve para a próxima segunda


POR RECOMENDAÇÃO DO SINDICATO, ATLETAS DO SANTA CRUZ ADIAM GREVE PARA A PRÓXIMA SEGUNDA

Rafael Brasileiro

A tarde desta quinta-feira no Arruda foi movimentada , mas bem longe do campo. Os atletas se reuniram nos vestiários e decidiram não deflagrar a greve ameaçada. Pelo menos por enquanto. A decisão de não paralisar as atividades deveu-se à orientação do sindicato dos atletas, por não haver comunicação oficial ao clube. A intenção do elenco, portanto, é notificar sobre a intenção da greve e decretá-la na segunda-feira, caso não os salários (parte deles) não sejam pagos. Inclusive com a possibilidade de não enfrentar o Paraná na terça-feira
Foi um dia de muitas conversas. Foram três, mais especificamente. Na primeira, a direção, representada pelos diretores de futebol Constantino Junior e Jomar Rocha, reuniu-se com a comissão técnica fora do Arruda. Depois, foram até os vestiários e se reuniram com Grafite, Ricardo Bueno, Derley e Júlio César. Esses quatro jogadores depois conversaram com o restante do elenco, que estava propenso à paralisação.
A decisão de cruzar os braços havia sido tomada no último sábado, logo após a derrota para o Náutico, segundo o atacante Grafite, único a falar com a imprensa nesta quinta-feira. “Depois do jogo contra o Náutico houve reunião com jogadores e comissão. Eu não estava porque momentos depois do jogo fiz uma avaliação e saí antes do final. Ficou decidido que, se não pagasse uma folha dos jogadores, funcionários e comissão (antes do jogo contra o Vila Nova), nós não permaneceríamos em São Paulo (a programação do time era ficar na capital paulista e seguir para Minas). Voltaríamos para cá (Recife) e talvez não viajaríamos para enfrentar o Boa", afirmou.
Como apenas alguns jogadores receberam - funcionários e comissão não -, os a delegação voltou para o Recife. A ideia era voltar e parar, mas, diante da recomendação do sindicato, os atletas resolveram postergar a paralisação por recomendação do sindicato. "Vamos comunicar ao clube e a partir de 48h da notificação, caso não haja solução, entraremos em greve”, explicou Grafite.

Sem resposta


O Superesportes procurou, mais uma vez, a direção do clube em busca da sua versão para os fatos, mas ninguém se pronunciou de forma oficial. O presidente Alírio Moraes não atendeu as ligações. As informações são que ele foi ao Rio de Janeiro em busca de verba para tentar cumprir com as obrigações salariais do Tricolor do Arruda. 

Fonte: Diario de Pernambuco, 09/11/2017

Grafite lamenta condição desumana dos funcionários


GRAFITE LAMENTA CONDIÇÃO DESUMANA DOS FUNCIONÁRIOS

Daniel Lima

Mais uma vez sobrou para Grafite. Porta-voz do elenco, o ídolo da torcida voltou a expor a dura realidade do Santa Cruz nos bastidores. Sempre abrindo o jogo nas entrevistas coletivas, o atacante lamentou a condição de descaso dos funcionários, que vivem uma situação desumana. De acordo com informações apuradas pela Folha de Pernambuco, são 11 folhas salariais em aberto: julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2016, além de junho, julho, agosto, setembro e outubro deste ano.
“A gente vê a dificuldade dos funcionários e da comissão (técnica) pela falta de dinheiro. A maioria ganha um salário mínimo. Cinco e seis meses sem receber faz muita falta. Estamos preocupados com eles. O dia a dia tem sido muito complicado", desabafou o camisa 23, reconhecendo que a situação é desesperadora no Arruda.
No ano passado, Grafite foi um dos responsáveis por ajudar os trabalhadores com verba e doações de cestas básicas. Além da liderança, o profissionalismo do veterano é um exemplo para o próprio clube. Realista, ele acha difícil que todos os débitos sejam quitados até o fim deste ano.
“Vai ser muito complicado pagar tudo. A dívida é grande com jogadores e funcionários. O fim do ano está chegando e todo mundo quer passar bem o Natal e o Ano Novo. Queremos dar presentes para os filhos e fazer uma feira maior. A verdade é que ninguém queria fazer greve, mas foi o último recurso que encontramos para se ter uma atitude”, disse.


Fonte: Folha de Pernambuco, 09/11/2017